Um papo sobre música com Rafa Bisogno

Por Charlis Haubert

15/07/2020

Um papo sobre música com Rafa Bisogno

Rafa Bisogno é baterista e percussionista de Santa Maria – RS. Como instrumentista, é reconhecido por seu alicerce musical singular, sua postura de palco, profissionalismo e carisma. Atualmente, toca na banda de Humberto Gessinger e na Comparsa Elétrica. Nós batemos um papo com ele sobre música e projetos futuros. Confira:

Rafa, você tem um estilo único no palco, usa pilcha e mantém a tradição da cultura gaúcha. Teu início na música foi em bandas tradicionalistas?

Comecei a tocar bateria com 16 anos e sou o terceiro de quatro irmãos. Por ter irmãos mais velhos, minhas primeiras influências musicais eram as bandas que eles escutavam: Iron Maiden, Deep Purple, Rush, Led Zeppelin, etc.

Apesar disso, a música e a tradição gaúcha também estiveram presentes na minha vida, mesmo não a escutando diretamente, ela sempre esteve presente na minha formação musical, tanto por influencias dos meus familiares quanto influencias externas, como radio e TV.

Meu primeiro trabalho na musica gaúcha foi tocando percussão num grupo de baile e logo depois disso ingressei no circuito dos Festivais Nativistas, que foi um divisor de águas na minha carreira. Tocando musica regional gaúcha comecei a criar uma linguagem musical diferente, mesclando as influencias das bandas de rock e jazz com a musica regional.

Como foi a tua aproximação do Humberto e a tua entrada para o Trio?

Eu toco em uma banda de música regional chamada Comparsa Elétrica e com ela tínhamos um projeto, num bar em Porto Alegre, chamado Clube da Esquila que consistia na participação de algum artista dando uma “canja” dentro do nosso show. Em uma de nossas edições, o convidado era o Trio Grande do Sul, formado pelo Humberto Gessinger, Esteban Tavares e Paulinho Goulart.

A Comparsa iniciou o show e logo chamamos o Trio para darem a canja e ficamos olhando o show na escada do palco. Quase no final da apresentação do Trio, nos olhamos e invadimos o palco. Era a oportunidade das nossas vidas de tocar com ícones da musica brasileira.

Essa atitude causou uma boa surpresa e acabamos tocando mais alguns temas juntos. Alguns dias depois, recebi um e-mail do Humberto convidando para gravar algumas músicas com ele. Topei na hora. Fui a Porto Alegre e conversamos sobre seu projeto solo e acabei gravando o disco Insular.

Durante a gravação, o HG me perguntou se eu gostaria de ir para a estrada com ele. Topei na hora novamente. Saí da gravação com um CD do repertório que tocaríamos na turnê.  De lá pra cá são as 6 trabalhos entre CDs, DVDs, Vinil Compacto e LP Vinil.

Como você está passando a quarentena? Você está trabalhando em algum projeto?

Estávamos voltando de um show no interior de São Paulo quando foi anunciado a quarentena. Prevíamos esse cenário de isolamento social mas não tínhamos noção de como seria de fato. Confesso que, no início, a falta de perspectiva de voltar a trabalhar me deixou um pouco angustiado, mas foi por pouco tempo.

Comecei a reorganizar meus estudos na bateria, mantendo em dia a parte técnica e revendo alguns estudos de ritmos e coordenação. Voltei a dar aulas de bateria numa escola de música e participei como organizador da Live do Bateraço, um encontro onde vários bateristas tocam ao mesmo tempo.

Foi um grande desafio, tanto na questão técnica quanto na questão de execução do evento, tudo aconteceu como planejamos. Além disso, gravei alguns vídeos em colaboração com outros músicos e claro, trabalhando muito na rotina da casa.

E o que você anda lendo e escutando?

Estou lendo A Estrada da Cura, livro do Neil Peart, baterista do Rush que nos deixou no início de 2020 e aproveitado essa deixa, estou escutando as gravações de alguns bateristas internacionais que gosto muito como Dennis Chambers, Steve Smith, Vinny Colaiuta e bateristas brasileiros como, Adal Fonseca, Kadu Menezes, Claudio Infante, Kiko Freitas, Edu Ribeiro entre outros.

Tem um grupo argentino que não sai da minha playlist chamado Aca Seca Trio, que sabem muito bem passear pelo jazz mantendo o sotaque do folclore latino-americano.

O que você acha do movimento sertanejo que esta crescendo cada vez mais?

Não acompanho a fundo o movimento sertanejo, mas vejo que há um grande investimento no produto da música sertaneja, desde a produção musical até as estruturas de palco.

Hoje, a música sertaneja conta com músicos de altíssimo nível e com o grande número de duplas e cantores, existe um universo gigantesco de profissionais que trabalham no movimento. Em contrapartida a tudo isso, há também uma concorrência muito grande, tornando difícil crescer e se fortalecer no mercado.

Como a banda está estruturando a volta pós pandemia?

Estreamos a turnê do disco Não Vejo a Hora no final de 2019, estávamos com uma agenda de shows bem bacana, mas em função da pandemia, todos os shows acabaram sendo transferidos para outra data. Certamente o Humberto já deve ter planejado os próximos passos, mas logo que o mercado dos show voltar devemos dar sequencia na turnê.

Charlis Haubert

Charlis Haubert

Música