Teatro: a tragédia e o mito.

Por Luiz Nascimento

03/06/2020

Teatro: a tragédia e o mito.

O surgimento do teatro vem  do culto a Dionísio, a partir deste início tem-se dois gêneros tragédia e comedia.

Tragédia Grega, Mito/ Herói.

A tragédia Grega se alimenta do mito/herói para recriá-lo. O discurso mítico em seu paradigma religioso original é veículo da verdade e dos modelos importantes seguidos pela sociedade. A palavra mítica faz circular a palavra e a vontade divina. Mas essa palavra sobre o solo racional torna objeto de reflexão e debate. Na Tragédia, a verdade sustentada pelo mito e redimensionada adquire outro significado. Traz à tona a ambiguidade do mito, e explica o que antes ocultava o que podemos dizer que nunca haverá conciliação e superação dos contrários. O lado sombrio da justiça divina, as dicotomias, o poder do engano e o erro com que os deuses circulam o destino dos homens, sempre cegos em relação aos seus atos.

A tragédia na Grécia vem pela primeira vez colocar frente a frente o passado e o presente, tornando o homem comum em herói, revelando para a sociedade o conflito em que vê mergulhada entre Justiça dos homens e o exercício da liberdade, a antiga justiça Divina aprisionada à vontade humana.

Na ambiguidade surge o conflito. O mito vive no imaginário coletivo de uma sociedade, que começa a privilegiar a liberdade o bom senso, há oposições. 

No centro do conflito surge o herói trágico, e esse em sua trajetória, adquire o olhar do espectador, que começa a compartilhar suas vontades, o herói se apropria e ocupa os mais nobres postos, tamanha é sua forca e coragem, mas também no alto de seu caráter e de tamanha confiança do espectador,as suas ações são questionáveis, surge seu lado sombrio, capaz de cometer terríveis crimes, criando acontecimentos aterrorizantes.

Neste momento, o herói se aproxima do homem real, anseia ser aceito, cria empatia e vive as emoções e os espectadores respondem pelos seus atos. A catarse se concretiza e a tragédia se completa.

O personagem é lançado a todo tipo de sorte.  É o homem comum que erra. É o cidadão honrado quem está sujeito ao engano. Não por ser raso, mas por falta de carência intelectual, tem dificuldade de agir e compreender. Nesse ponto resta claro o desfecho das ações que surpreende o herói, tornando-o frágil e sem capacidade de discernimento. Este ser divinizado mantém-se alheio ao longo da sua trajetória, indo ao encontro do abismo.

A tragédia ainda vai além.  O herói, no momento da queda, percebe que seus atos, outrora viscerais, não encontram mais legitimidade os deuses e nem entre os homens.

Vivendo o mais profundo dilaceramento interno, o herói ressurge glorioso na consciência do seu erro. Neste momento, ele teve a coragem de assumir que esteve absolutamente só na sua caminhada.

Luiz Nascimento

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