Streaming: a revolução da música no meio digital

Por Letícia Minosso

22/12/2020

Streaming: a revolução da música no meio digital

Os anos 10 ficaram conhecidos como os anos das revoluções. Uma delas foi a revolução na indústria da música, conhecida como streaming.

A música é uma parte essencial de nossas vidas, direta ou indiretamente. Quando você liga sua TV pra assistir qualquer coisa, lá ao fundo que seja, está tocando uma música.

Na sua igreja ou templo, escola ou faculdade, como meio de expressão de sua fé, arte ou trabalho, nas ruas em um carro em um congestionamento de qualquer cidade grande, ou em um carro vendendo qualquer coisa, na feira, no supermercado, principalmente no seu bar favorito, lá está ela.

A música é intrínseca ao cotidiano e faz com que a gente crie uma conexão emocional com ela. Para além disso, a música como produto é um dos principais vetores da indústria do entretenimento. É ainda um dos principais motores da economia de cidades inteiras, vide grandes festivais tradicionais de música que acontecem periodicamente em diversas localidades espalhadas pelo mundo.

Quando a gente entende que a música em si, seja como fonte de propaganda, diversão, entretenimento diverso ou produto, é uma parte principal de nós, ao mesmo tempo, a gente compreende que ela precisa acompanhar a nossa evolução. Tanto em seus inúmeros estilos e camadas, tanto como o produto que, no fim, ela é.

A DIVULGAÇÃO DO PRODUTO

Música vende muito desde que o mundo é mundo, isso é um fato. Tanto como algo físico em si, como em que ela resulta – shows, apresentações, marcas registradas, propagandas, etc.

Mas pra que isso aconteça, para que a música traga resultados reais e rentáveis, ela precisa ser criada, divulgada e, principalmente vendida. Ao longo dos anos a gente viu e viveu como esse mercado evoluiu e cresceu, ao tempo que levava um tombo daqueles.

Do vinil, ou LP, ao disco compacto de 80 minutos, chegando as vendas astronômicas e revolucionárias de singles e, logo em seguida, das músicas digitais onde a gente teria o poder de escolher o que exatamente a gente queria comprar.

Na década antecessora aos anos 10, um artista teria uma dificuldade gigantesca em divulgar seu trabalho. Hoje ele encontra no meio digital uma certa “facilidade”. Suas músicas tem quase que as mesmas chances de chegar até outras pessoas que um artista com anos de carreira possui – claro, sabemos que na prática talvez isso não funcione.

A PRINCIPAL ARMA CONTRA A PIRATARIA

Até o início dos anos 2000, a principal fonte de divulgação e venda de músicas era por meio de mídias físicas. Era unânime também como a música era criada e também divulgada. Apresentações em programas de TV e premiações eram partes fundamentais para que artistas atingissem patamares cada vez maiores.

Então surgiu o mp3. Primeiramente criado como forma de compactar músicas e possibilitar a venda pela internet de forma mais prática e ágil. O formato logo se tornou uma arma poderosíssima para a pirataria.

Esse foi o tiro no pé da indústria fonográfica. Suas vendas que atingiam patamares altíssimos até o início do milênio, passaram a se contentar com números cada vez menores.

Após anos e anos em baixa, a indústria viu uma luz no fim do túnel quando, em 2008, era lançado o Spotify. Ainda com uma tecnologia carente de melhorias, o serviço tinha como objetivo proporcionar um acesso mais fácil e barato a músicas de forma legal.

Hoje as pessoas não precisam baixar músicas de forma ilegal, o acesso a milhares de canções e álbuns está a poucos cliques de distância.

Segundo o que consta, a pirataria diminuiu algo em torno dos 25% em países de 1º mundo. As pessoas começaram a se questionar “por que gastar tempo baixando uma música se eu posso ouvir instantaneamente nesse app aqui?”

O PODER DO STREAMING

Quando você abre seu apps de música e escolhe determinada faixa ou disco pra ouvir, automaticamente você está contribuindo para que aquela canção melhore sua posição nos charts, contribui com os repasses financeiros aos artistas .

Desde 2014, as execuções feitas nesses serviços contam como parte importante para que certas músicas e discos atinjam o ponto mais alto de charts da Billboard, principalmente.

Vale lembrar que as músicas reproduzidas nas contas premiums de versões pagas tem uma importância maior do que reproduções feitas nas versões básicas dos planos dos serviços de streaming.

A REVOLUÇÃO DEFINITIVA E PARA ONDE VAI O STREAMING?

Hoje existe um consenso em como o streaming mudou a forma de consumir música e como a indústria a vende. Talvez seja esse serviço  a maior revolução desde que as músicas passaram a ser compactadas em discos menores de até 80 minutos.

Porém, sua rentabilidade é cada vez menor e dificilmente artistas estão contentes com toda essa evolução. O que nos faz pensar e ansiar por novos modos e meios de se produzir e consumir esse tipo de conteúdo.

Haverá realmente algo que revolucionará novamente a forma como consumimos música?

Por fim, é impensável, em pleno 2020,  como nos tornamos dependentes de um formato e como dificilmente esse formato deixará de ser primordial, afinal mesmo que pagando pouco e ainda ser vulnerável à pirataria digital, cada vez mais encontramos novos serviços, com novas facilidades e cada vez mais populares. Pra onde a música nos levará nos anos a frente? Qual será o destino dos serviços de streaming? Qual será a tecnologia que irá transformar, mais uma vez, a forma como ouvimos música? Vamos ter que dormir com essa reflexão.

Letícia Minosso

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