Poesia e literatura: Rogério Passerine conta um pouco mais sobre suas inspirações e hábitos.

Por Charlis Haubert

22/09/2020

Poesia e literatura: Rogério Passerine conta um pouco mais sobre suas inspirações e hábitos.

Rogério Passerine faz participações em collabs com a FORS. Suas poesias e textos estão em alguns dos nossos catálogos. Conversamos com ele sobre leitura e inspiração para escrita. Você confere um pouco mais abaixo: 

Em que momento você percebeu a sua intimidade com a leitura?

Minha ligação com a leitura, começou cedo, além das aulas convencionais na escola, minha mãe era professora de uma escola dominical em uma igreja, e nos orientava (eu e minhas irmãs), a ler a bíblia e assim foi despertando o interesse em ler, principalmente as questões que pipocavam em minha mente, faziam com que eu perguntasse cada vez mais e automaticamente a resposta de minha mãe era “ tá tudo na bíblia “ aí eu lia e lia mais. Lembrando que meus pais sempre nos deixavam livres para seguir qualquer religião, isso foi um dos aprendizados. Minha mãe sempre nos orientava que enquanto éramos crianças e não tínhamos discernimento para escolhas iremos frequentar o que ela propunha. Depois escolheríamos qual melhor religião nos despertava mais interesse. E assim foi. 

Quais são as principais inspirações que você usa para criar seus textos? 

Acho que a vida em um modo geral é uma super fonte de inspiração. No começo sempre busquei algo que refletia essa busca espiritual, mas com o passar do tempo percebi que escrever sobre o cotidiano, erros e acertos que a vida nos leva a cometer, era o que me agradava, acabei observando que tudo era reflexo do ser humano. E tudo girava em torno da existência, o que mais uma vez levava ao estado de espírito que nos encontrávamos. A positividade com que se olha algo, o ângulo de um erro que achamos que poderíamos ser um pouco mais prudentes. Enfim tudo que nos move. 

Qual a mensagem que você deseja passar para as pessoas com seus textos? 

A mensagem que mais tento passar é que tudo tem um motivo, as fraquezas de alguma forma nos ensinam, talvez até mais que as vitórias, mas que no final é tudo uma soma. Então, quando se desperta numa leitura ou num texto a dúvida ou questionamento, já é um passo de observância, já garante que o leitor absorveu algo, mesmo que apenas uma simples interrogação. Acredito que esse é o papel da leitura, te abrir pra novas oportunidades de visão. 

Qual seu livro de cabeceira? 

Gosto de ter sempre na minha cabeceira os livros do Chico Xavier, pois confortam minha alma, me centraliza, é o tipo de leitura que me transporta literalmente para outro plano.

Quais livros que marcaram sua vida? 

Um livro que me marcou muito foi ainda adolescente, chama-se “A turma da rua Quinze” de uma série chamada Vaga-Lume, por volta de 1991 acredito… eu lia todos dessa série, mas esse livro foi o que mais me chamou a atenção, porque tinha suspense e aventura. E na adolescência essas características eram propícias. E eu nunca esqueci esse título sempre me ronda a cabeça. Aliás, uma boa oportunidade para reler. Tem outros, vários. Mas tem um recente que é da Zibia Gasparetto, “Pelas Portas do Coração” que foi um que me despertou e fez enxergar a vida de uma forma diferente. Pra quem gosta de romance e espiritualidade é uma boa proposta, é incrível. 

Como você vê o consumo da literatura pelo brasileiro atualmente?

Não vejo um cenário agradável. Estamos numa fase do tudo pronto rápido, a própria internet é muito visual. Se você posta algo com um texto muito longo as pessoas já rolam o feed e não dão a mínima. Então, esse estímulo tem que vir de casa, com hábitos de reservar um tempo para aprender a ler. Ensinar que para se ter um pensamento crítico e diferenciado é necessário ler, estudar os caminhos e questionar. Ficar absorvendo somente notícias no estilo “fast-food” não nos coloca como agregadores e sim só espectadores de algo que não podemos emitir nenhuma opinião. E isso é ruim, nos torna pequenos, acredito. É difícil eu sei, mas tudo se começa aos poucos, dispor meia hora, depois uma hora e assim vai. Hábitos se adquirem com persistência. 

Quais dicas você pode dar para as pessoas que estão começando a se interessar pelo hábito de escrever?

A dica que dou é escrever resenhas, de livros que já leu ou assuntos que gosta e tenha interesse. Escrever com calma, quando se sentir disposto pra isso. Eu mesmo gosto de escrever quando sinto que é o momento, talvez não saberei nem explicar, como isso acontece, mas é algo que vem de dentro e diz “escreve isso”. Aí me sento e surge um texto ou uma poesia, enfim é um “time” que tenho. Talvez você tenha o teu, é só se observar e ver qual o melhor jeito que você se expressa melhor. A escrita surge quando temos a necessidade de transmitir o que somente a alma pode ler em palavras, o que talvez por voz não teriam ouvidos que as pudessem escutar

Charlis Haubert

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