Zeca Baleiro: uma conversa sobre música e literatura.

Por Charlis Haubert

22/10/2020

Zeca Baleiro: uma conversa sobre música e literatura.

José Ribamar Coelho Santos, mais conhecido como Zeca Baleiro, é um cantor, compositor, cronista, e músico brasileiro de MPB. Maranhense, mudou-se para São Paulo onde lançou sua carreira. Zeca canta, toca violão e já teve suas composições interpretadas por Gal Costa, Elba Ramalho, Vange Milliet, Adriana Maciel, Luíza Possi, Rita Ribeiro, e Renato Braz. Em 2011, lançou um livro de crônicas intitulado Bala na agulha. Atualmente, além da carreira de músico, é colunista mensal da revista Isto É. Zeca Baleiro fez parte de uma collab com a Fors, e batemos um papo com ele. Confira:

José de Ribamar Coelho Santos, qual a origem do nome “Baleiro”?

Sempre fui um implacável consumidor de doces, balas e toda sorte de guloseimas. Na faculdade de Agronomia, ganhei o apelido de Baleiro dos amigos, por andar sempre com balas e chicletes nos bolsos.

Além de músico você tem um trabalho literário, já são quatro livros lançados, como começou a sua experiência literária? Você está trabalhando em algum livro no momento?

O “Bala na Agulha” é uma compilação de textos que escrevi no meu site de 2005 a 2010. Resolvi lançar atendendo a pedidos do público e também porque julgava digno de publicação. O segundo, “Vida é um Souvenir Made in Hong Kong”, é uma iniciativa da editora da UFG (Universidade Federal de Goiás) e é um livro de arte, mais gráfico, em que o artista brasiliense Roger Melo faz intervenções sobre algumas de minhas letras. “A Rede Idiota” saiu em 2014 e é um livro de crônicas, que reuniu textos inéditos, alguns escritos eventualmente para jornais e revistas, com um capítulo dedicado aos artigos publicados na coluna que mantive na IstoÉ e outros que escrevi sobre música para a seção Questões Musicais, no blog da revista Piauí. E em 2016 lancei um livro infantil, “Quem tem Medo de Curupira?”, uma peça musical para crianças.

Você é um artista multifuncional, bem sucedido no MPB e na literatura, de onde vem a raiz de criar para o público infantil?

Comecei fazendo música infantil num grupo de teatro, o Ganzola, em São Luís do Maranhão, quando tinha 18 anos. O livro “Quem Tem Medo de Curupira?” era a princípio uma peça teatral, que escrevi quando tinha 21 anos e ainda morava em São Luís. É uma fábula sobre as criaturas encantadas do imaginário popular brasileiro – Boitatá, Curupira, Caipora, Mãe-d’Água e Saci. A peça só foi encenada em 2010 em São Paulo, com direção de Débora Dubois, e depois virou livro. Retomei essa verve quando nasceram meus filhos: Vitória (21 anos hoje) e Manuel (19). Depois que nasceram, compus mais de 50 canções pra eles, e depois resolvi gravá-las em cd. Muitas das canções que estão em “Zoró” e “Zureta”, meus dois discos infantis, surgiram da minha relação com eles.

Como funciona o seu processo de criação de músicas, textos e peças teatrais?

Gosto de me aventurar em territórios que desconheço, ou que conheço pouco. É algo que me instiga, pessoal e artisticamente. É difícil explicar o processo, até porque é tudo muito intuitivo. Quando o assunto é canção, por exemplo, uma palavra vai puxando outra, a melodia que surge vai induzindo à busca de rimas ou frases sonoras e aí a mágica se dá. Para um texto em prosa a busca é um pouco mais racional.

Que tipo de literatura você consome? Qual o livro que não pode faltar na cabeceira da tua cama?

Gosto muito de ler, especialmente romances e contos, e aproveito as viagens, as longas esperas em aviões e aeroportos, para atualizar as leituras. Há dois autores que não podem faltar na cabeceira: Philip Roth e Mario Vargas Llosa.

Sua carreira nasceu em uma época diferente, onde as pessoas aguardavam o lançamento do disco. Como você reage com a era da internet?

Lancei meu primeiro disco em 1997, e de lá pra cá as coisas mudaram bastante. Ainda havia um certo culto à audição de discos, um apreço pelo suporte físico. Hoje, por toda a praticidade, a audição de música migrou pra internet – YouTube, plataformas digitais etc. Mas o som não pode parar, há coisas boas nesse novo contexto também, e a principal delas é a agilidade. Hoje você pode produzir um single ou disco e rapidamente fazer chegar ao público, através das plataformas de áudio.

Confira as peças da coleção Zeca Baleiro + F.O.R.S.

Charlis Haubert

Charlis Haubert

Música