Collab Letters Inverno 22 | Conheça Naira Iasmin Garcia

Por Charlis Haubert

18/03/2022

Collab Letters Inverno 22 | Conheça Naira Iasmin Garcia

Naira Iasmin Guirado Garcia assina a collab letters da coleção de inverno MUSIC HAS POWER. A artista bateu um papo com a nossa equipe e nos conta um pouco sobre sua trajetória.

1 – Quem é Naira e qual a sua ligação com a arte? Nos conte suas experiências com a literatura, musica e com a moda.

Desde criança fui incentivada à literatura e ao conhecimento. Reconheço minhas inspirações artísticas através da minha mãe, fotógrafa desde os 13 anos de idade. Fiz muita birra pra matar aula e ficar com ela no laboratório de revelação.

Tenho lembrança do cheiro de cafe do laboratório. Lá tinha uma maquina de escrever, ela me sentava ali enquanto preparava os químicos da revelação, quando a sala ficava vermelha me chamava e me botava em pé o balcão para ver a mágica, como dizia.

Lembro de escrever desde os 10 anos de idade quando escrevi algo que fez bastante sentido pra mim. Dona Nilza, minha mãe, também cantava na radio da cidade, fizemos muitas viagens com muita música. Elas: Rita Lee Tim Maia, Marina Lima Adriana Calcanhoto. Ela cantava pra mim a música Lenda do Pegaso de Moraes Moreira, e continua cantando ainda pra todas
as crianças da família.

Aos 13, e tentando me adequar ao mundo social, comecei a viver as crises, eu não era uma criança “normal” e sempre tive gostos diferentes e um estilo de me vestir também diferente. Naquele tempo eu e minha mãe começamos a nos desentender muito por que ela era a única mãe que vestia All Star, eu nem acredito que eu queria uma mãe cafona, mas, sim, já quis. Isso passou aos 16.

2 – Sua inspiração para escrever é a mesma da música ou são vertentes diferentes?

Acredito que são as mesmas. Preciso de um tempo isolada. Poucos contatos e também procuro ler livros com metáforas e músicas instrumentais.
Preciso ir ver o mar praticamente todos os dias. Já inventei alguns rituais.

3 – Como funciona seu processo criativo?

Confesso que acredito que apesar de saber alguns caminhos, o processo criativo de qualquer obra depende muito do que eu estou vivenciando no
momento.

Às vezes tomando chá com uma amiga e ela diz uma palavra “absorver” e eu digo “assimiliar”, aquilo já abriu um canal pra mim. No geral, acredito que minhas criações são sobre amor.

4 – Você tem uma marca de lenços, como você iniciou esse projeto?

Uso lenços há um tempo, e defini como uma marca minha. Gosto dele ser versátil, podendo usar como blusa, bolsa, tiara, pulseira. Dá pra usar em todas as estações. E é leve. Acredito que os a shopvoe veio para dar o tom
da personagem DJ que hoje é o que estou investindo. Também herança de madrecita. Somos decendentes de ciganos espanhóis.

5 – Quais foram seus projetos durante a pandemia e como está sendo o retorno aos eventos?

Para 2020 fiz o plano de ficar um tempo no estrangeiro para conhecer outras culturas e também fluir o meu inglês, o objetivo era depois de um tempo voltar ao Brasil para fundar uma residência artística bem como um Hostel. Com a pandemia tudo que eu investi, financeiramente falando, eu perdi. Apesar disso me refiz e comecei a gerenciar o projeto que estava guardado para quando voltasse, o Coletivo Samambaia.

Conseguimos trabalhar por um ano promovendo collabs e rodas de conversa com temas específicos de mulheres que tinham interesse de se
engajar até que em um dos encontros convoquei as Djs de Floripa pra uma reunião e fundamos As Mina do Som, uma coletiva de Dj mulheres de Florianópolis. Precisei silenciar por um tempo o Samambaia e espero tocá-lo novamente quando estiver melhor financeiramente.

Charlis Haubert

Charlis Haubert

Música