A arte da Xilogravura por Fernando JC Andrada

Por Charlis Haubert

29/10/2020

A arte da Xilogravura por Fernando JC Andrada

Fernando JC Andrada é manezinho de coração, concebido, criado e residente da Ilha de Santa Catarina. Desde a infância demonstrou seu potencial artístico através de desenhos a lápis com luz e sombra. Através de sua arte acredita que está ajudando a preservar nossas tradições e nossos mares, tão esquecidos ultimamente.

Como funciona o processo de Xilogravura?

A Xilogravura, chamada carinhosamente de “Xilo”, é a impressão de uma imagem através de uma Matriz de madeira (lembrando um grande carimbo). A Matriz de madeira é gravada com goivas, facas ou formões, entintada com tinta tipográfica e prensada contra o papel em prensas manuais ou elétricas, podendo ainda ser utilizado uma colher, geralmente de bambu para fazer a impressão. A “Xilo” é uma técnica milenar, provavelmente originada no continente asiático, a mais antiga impressa em papel que se conhece é uma oração budista do ano de 868. Ela foi largamente utilizada na impressão das ilustrações nos livros até o século XVI. Esquecida e tida como ultrapassada durante um período, retorna no século XVIII como expressão de Arte Livre. No Brasil, na mesma época, os pioneiros desta nova expressão de arte foram Oswaldo Goeldi e Lasar Segall.

Quando ocorreu seu contato inicial com a arte da xilogravura?

O primeiro contato profissional ocorreu no final de 2017, quando fui desafiado pelo Wilton Pedroso, proprietário da Galeria de Gravura, a produzir algumas Xilogravuras, consegui desenvolver uma série, “Trindade”, composta de 10 gravuras, impressas com uma colher de bambu, foi bem difícil. Antes disto, nos tempos de colégio, existia uma disciplina que lidava com isso, IPT (Iniciação Para o Trabalho), que hoje pelo que observo nas conversas com a gurizada, poucos colégios oferecem, daquela época, ainda tinha guardadas as goivas e facas que uso até hoje. Depois em 2018, comecei a frequentar a Oficina de Gravuras do CIC, e o Mestre Bebeto mostrou novos caminhos, novas ferramentas, ampliando em muito o horizonte e ficando nítido nas gravuras a divisão entre antes e depois da Oficina de Gravura.

Como funciona o processo de criação de suas obras?

O processo funciona mais ou menos assim, algumas imagens surgem na mente do nada, são desenhadas, gravadas e impressas e delas vão surgindo outras imagens, criando assim suas estórias, como na série “A Pesca” (O Olheiro enxerga o cardume, a baleeira entra no mar…e por aí segue a aventura.). Tenho a impressão que uma imagem vai chamando a outra, como uma renda ou uma colcha de retalhos, onde a série “Memórias da Ilha de Santa Catarina” mostra bem. Outras imagens foram pensadas para testar texturas e tipos de corte, como a série “Aquarium”, retratando o mundo submerso de nossa Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno. Importantes também são as sugestões de Caroline Costa de Mattos querida esposa, amigos, colecionadores e entrando no campo das ilustrações, nossos clientes corporativos.

Quais são suas influências nessa arte?

São muitas, gostaria de dividir em duas partes, Técnica e Inspiração. Como Técnica, vou citar os três que mais tenho tido contato ultimamente, são eles: Carlos LLerena Aguirre, Lívio Abramo e Marcelo Grassmann. E como fonte de Inspiração e busca de dados históricos, citaria os escritores Almiro Caldeira de Andrada, Virgílio Várzea e o professor Franklin Cascaes.

Quais artistas você destacaria na arte da xilogravura?

Indicaria com carinho a olharem os trabalhos, em ordem alfabética, de: Albrecht Dürer, Bebeto (Carlos Roberto Nascimento), Carlos LLerena Aguirre, Gabriel Gariba, J. Borges, Lívio Abramo, M. C. Escher, Maria Bonomi, Marcelo Grassmann, Milton Cazelatto, Pablo Picasso, Ramon Rodrigues, Samuel Casal.

Quais as formas você usa para firmar e divulgar suas obras?

Sempre estou procurando participar de exposições, concursos e feiras, este ano já foi confirmado seleção de duas gravuras da série “Aquarium” para a Bienal dos Naïfs do Brasil 2020, em São Paulo nos meses de agosto a dezembro. Faço alguns movimentos em redes sociais, atualmente estou usando mais o Instagram para divulgação de novas obras. Estou sempre em busca de novas parcerias e aberto a novas ideias.

Charlis Haubert

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