A cultura e a pandemia

Por Lis Maia

11/07/2020

A cultura e a pandemia

Coração bate forte. Já vai tocar o terceiro sinal!

Na coxia os atores já estão prontos. A camareira dá um ajuste final no figurino da atriz e o diretor abraça a todos como num desejo de “boa viagem”. Os refletores são ligados e aos poucos o burburinho da plateia vai diminuindo. Silêncio. Música ao fundo. Terceiro sinal. Aos poucos as cortinas vão se abrindo… e como se olhássemos o abismo, nós atores, damos o primeiro passo em direção ao palco!

Silêncio. Foi o que ficou em todos os palcos do Brasil desde o dia 13 de março de 2020. O dia em que a cultura parou por conta da pandemia do novo coronavírus.

Circo. Peças. Óperas. Shows. Tudo parou.

Imaginem… a televisão e o cinema também! Todas as produções paralisadas!

O palhaço não colocou mais o seu nariz, a bailarina deixou a sapatilha descansar, o cantor não aqueceu a sua voz, o bilheteiro fechou a bilheteria, o ator não apareceu mais na novela das nove e até o pipoqueiro teve que guardar a manteiga para uma próxima…

O que somos sem a Cultura, pergunto eu?

Você agora que leu esse breve relato, me responda: quem é VOCÊ sem a Cultura? E me conta: como estaria suportando essa quarentena sem os shows online, filmes, novelas, animações, desenhos, LIVEs dos artistas?

Compreende? Nada somos… nada.

E é isso que me espanta: se nada somos, como conseguimos viver num país onde a Cultura não é valorizada?

Para terem uma pequena ideia do que o setor cultural está passando, cliquem aqui e vejam a situação da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

A Cultura faz parte da engrenagem da força que movimenta a economia brasileira. E isso é incontestável.

O que fazer então? VALORIZAR!!!

Valorizar principalmente os artistas locais! Isso mesmo! Valorizar os artistas do seu bairro, da sua cidade, do seu estado! São inúmeras famílias que sobrevivem do “fazer arte”.

Você já parou para pensar se têm um circo perto de você? Um teatro? Como será que estão vivendo essas pessoas em plena pandemia se o setor em que elas trabalham está paralisado?

Sabemos que muitos profissionais de várias áreas tiveram que se reinventar, e sobreviver, mas a Cultura foi o primeiro setor a parar e provavelmente será o último a retornar. Então também os artistas tiveram que se reinventar, pois fato é, que a arte não pode morrer!

E esses seres maravilhosos são capazes de fazer você acreditar que está em plena batalha da idade média mesmo se eles estiverem lutando segurando vassouras! Ahhh… a arte de interpretar…

Reinventados então, hoje muitos artistas já descobriram o caminho da internet para alcançar o seu público, gerar renda e ainda ajudar outros da própria classe que estão precisando nesse momento de incertezas.

Indicações para assistir teatro online

O TEATRO PETRAGOLD está com o projeto Teatro Já, onde parte da renda arrecadada com a venda dos ingressos, irá contribuir para o auxílio emergencial a famílias de técnicos e artista de teatro, que foram fortemente afetados pela pandemia. Clique aqui para acessar a programação completa.

O SESC SP também está com uma programação bem diversificada. A atriz Irene Ravache já apresentou no projeto o seu monólogo ALMA DESPEJADA. Desde o dia 15 de maio o SESC SP tem transmitido pela internet apresentações teatrais. CLIQUE AQUI e acompanhe a programação completa.

Espero que após esse período nada fácil, voltemos transformados para melhor, é óbvio, dentro de nossos lares e sociedade, e principalmente mais amantes e respeitosos com o ofício dos artistas, que trouxeram para esses dias um afago na nossa alma.

Finalizo com uma frase do filósofo Cláudio Ulpiano, que para mim sintetiza a importância do artista no mundo:

“Se um artista fosse apenas reproduzir o seu mundo – não precisaria de artista – bastava o jornal. O artista é exatamente aquele que faz a experiência limite – além do território que lhe é oferecido – para pensar as forças enquanto tais”.

Sigamos…

Lis Maia

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